Saúde Feminina: por que precisamos falar mais sobre isso?

Cuidar da saúde da mulher vai muito além dos exames de rotina. Envolve compreender os ciclos femininos, os impactos das oscilações hormonais ao longo da vida e, sobretudo, reconhecer condições clínicas que afetam milhões de brasileiras e que, por vezes, são subestimadas — como a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), o Lipedema, a Endometriose e as transformações da Menopausa.

Essas condições impactam não apenas o bem-estar físico, mas também o emocional, social e a autoestima da mulher. Apesar de diferentes em suas causas e manifestações, todas compartilham um desafio em comum: o diagnóstico tardio e a falta de orientação adequada para um cuidado integral e individualizado.

Veja alguns dados que ilustram essa realidade no Brasil:

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) afeta cerca de 1 a cada 10 mulheres em idade reprodutiva, sendo uma das endocrinopatias mais comuns entre as mulheres jovens, com implicações que vão desde infertilidade até resistência à insulina e distúrbios emocionais [1].

 

O Lipedema, uma condição ainda pouco reconhecida, atinge aproximadamente 11% das mulheres, provocando acúmulo doloroso de gordura nos membros inferiores e interferindo diretamente na qualidade de vida [2].

 

Já a Endometriose acomete cerca de 10% das mulheres em idade fértil, representando uma das principais causas de dor pélvica crônica e infertilidade feminina [3].

 

A menopausa, embora um processo fisiológico natural, pode trazer sintomas intensos para até 80% das mulheres, incluindo ondas de calor, insônia, alterações de humor, perda de massa óssea e aumento do risco cardiovascular [4].

 

Frente a esse cenário, cresce o interesse por estratégias de suporte natural e integrativo — entre elas, a suplementação com compostos bioativos, vitaminas, minerais e fitonutrientes que atuam como aliados no manejo de sintomas e na promoção do equilíbrio hormonal e metabólico.

Então vamos nos concentrar em quais desses suplementos alimentares podem auxiliar no manejo dos sintomas de cada uma dessas desordens.

 

Endometriose: visão clínica e abordagens suplementares

A endometriose é uma condição inflamatória estrogênio-dependente caracterizada pela presença de tecido endometrial funcional fora da cavidade uterina, frequentemente nos ovários, trompas, peritônio e outros órgãos pélvicos. Essa ectopia provoca uma resposta inflamatória crônica, levando a sintomas como dor pélvica crônica, dismenorreia intensa, dor durante o ato sexual (dispareunia), alterações intestinais ou urinárias no ciclo menstrual e, em muitos casos, infertilidade [4].

Estima-se que a endometriose afete cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo, o que corresponde a aproximadamente 190 milhões de mulheres, segundo a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, a prevalência segue essa média, e muitas pacientes enfrentam um atraso de até 7 anos no diagnóstico, o que agrava a progressão da doença e o impacto sobre a qualidade de vida [5].

Por sua natureza inflamatória, a endometriose está associada à elevação de citocinas pró-inflamatórias (como TNF-α, IL-6), estresse oxidativo e aumento da produção de prostaglandinas. Nesse contexto, nutrientes com ação anti-inflamatória, antioxidante e moduladora hormonal vêm sendo estudados como coadjuvantes importantes no tratamento integrativo da doença [6].

 

Principais suplementos com evidência científica

EPA e DHA: Diversos estudos apontam que o consumo de ácidos graxos ômega-3 pode reduzir significativamente a inflamação sistêmica associada à endometriose. Ensaios clínicos sugerem que EPA e DHA diminuem a produção de prostaglandinas inflamatórias e citocinas, contribuindo para redução da dor pélvicae da progressão das lesões endometrióticas. Uma meta-análise publicada na Journal ofEndometriosis and Pelvic Pain Disorders mostrou redução de até 30% na intensidade da dor em mulheres suplementadas com ômega-3 [7].

 

Vitamina D: A vitamina D tem sido investigada pelo seu papel na modulação do sistema imune e no controle da inflamação crônica. Mulheres com endometriose frequentemente apresentam níveis baixos dessa vitamina, e estudos sugerem que a suplementação pode atenuar a atividade de macrófagos peritoneais, reduzir citocinas inflamatórias e melhorar sintomas dolorosos. Além disso, sua atuação nos receptores nucleares pode interferir na proliferação celular ectópica [8]. 

 

N-acetilcisteína (NAC): A NAC é um precursor da glutationa, o principal antioxidante intracelular. Estudos demonstram que sua suplementação pode reduzir marcadores inflamatórios e o volume de cistos endometrióticos, além de apresentar bons resultados em relação à dor e função ovulatória. Um estudo clínico randomizado mostrou regressão ou estabilização de lesões ovarianas em 79% das mulheres tratadas com NAC por 3 meses [9]. 

 

Curcumina: Com potente ação anti-inflamatória e antioxidante, a curcumina (princípio ativo do açafrão-da-terra) atua na inibição do NF-κB, uma das principais vias inflamatórias envolvidas na endometriose. Estudos pré-clínicos e clínicos indicam que sua suplementação pode reduzir lesões endometrióticas, aliviar dor pélvica e modular a resposta imune. No entanto, sua baixa biodisponibilidade requer formulações com maior absorção, como as associadas à piperina ou veículos lipídicos [10].

Lipedema: o papel da nutrição e suplementação no cuidado integrativo

O lipedema é uma doença crônica do tecido adiposo, caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura subcutânea simétrica e bilateral, predominantemente nos membros inferiores, que ocorre quase exclusivamente em mulheres. Essa gordura apresenta dor à palpação, tendência à formação de hematomas espontâneos e resistência à perda de peso com dieta e exercício, o que frequentemente leva à frustração e ao agravamento do quadro. Ao contrário da obesidade, o lipedema é considerado uma condição inflamatória e microvascular, associada a alterações hormonais e disfunção da matriz extracelular, com impacto significativo na qualidade de vida das pacientes [11].

Estima-se que 11% das mulheres no mundo possam ser afetadas por essa condição, embora muitos casos sejam subdiagnosticados ou confundidos com obesidade ou linfedema. O diagnóstico é clínico e envolve a exclusão de outras causas, mas cada vez mais estudos têm contribuído para o entendimento da fisiopatologia inflamatória, hormonal e vascular do lipedema, destacando a importância de uma abordagem integrativa [12].

A inflamação crônica de baixo grau, o comprometimento da microcirculação, o estresse oxidativo e a possível disfunção estrogênica estão entre os mecanismos fisiopatológicos propostos. A partir disso, nutrientes com ação antioxidante, anti-inflamatória e protetora endotelial vêm sendo explorados como coadjuvantes no manejo dos sintomas e na melhora da qualidade de vida das pacientes [13].

Além disso, há evidências de que o ômega-3 melhora a função endotelial e a fluidez da membrana celular, favorecendo a circulação linfática e venosa, fatores essenciais para quem convive com acúmulo e edema nos membros inferiores [14].

Principais suplementos para apoio no manejo dos sintomas do lipedema:

Ômega-3 (EPA e DHA): os ácidos graxos poli-insaturados da família ômega-3, especialmente o EPA (ácido eicosapentaenoico) e o DHA (ácido docosahexaenoico), têm demonstrado efeitos relevantes na modulação da inflamação crônica de baixo grau presente no lipedema. Seu uso tem sido associado à redução de citocinas pró-inflamatórias, melhora da fluidez das membranas celulares e fortalecimento da função endotelial — aspectos fundamentais para o alívio da dor, do edema e do desconforto nos membros inferiores [15].

Além disso, o ômega-3 pode atuar como coadjuvante na melhora da microcirculação linfática e venosa, frequentemente comprometida em pacientes com lipedema. Seu uso contínuo, aliado a uma dieta anti-inflamatória e hábitos de vida saudáveis, pode contribuir para uma melhora significativa na qualidade de vida e no controle dos sintomas dessa condição [15]. 

 

Curcumina: a curcumina, composto bioativo extraído do açafrão-da-terra (Curcuma longa), tem sido amplamente estudada por sua ação anti-inflamatória e antioxidante, especialmente em condições associadas à inflamação crônica de baixo grau, como o lipedema. Ela atua inibindo vias inflamatórias como o NF-κB e a expressão de citocinas pró inflamatórias, como IL-6 e TNF-α — que estão frequentemente elevadas nesse distúrbio [16].

Sua suplementação pode contribuir para a redução da dor, da rigidez e da sensação de peso nos membros inferiores, além de modular positivamente o tecido adiposo alterado. Contudo, devido à sua baixa biodisponibilidade, recomenda-se o uso de formulações com maior absorção (como aquelas associadas à piperina ou veículos lipossomais) para garantir seus efeitos clínicos [16]. 

 

Probióticos e saúde intestinal: A relação entre a saúde intestinal e o lipedema tem ganhado destaque em estudos recentes, especialmente pelo papel da microbiota na modulação da inflamação sistêmica, do metabolismo lipídico e da função imune. Um desequilíbrio na microbiota (disbiose) pode aumentar a permeabilidade intestinal, elevando a exposição sistêmica a endotoxinas inflamatórias — o que contribui para o agravamento do quadro clínico do lipedema [17].

A suplementação com probióticos específicos pode auxiliar no reequilíbrio da flora intestinal, reduzindo marcadores inflamatórios, melhorando a absorção de nutrientes antioxidantes e contribuindo para o metabolismo do tecido adiposo. Esses efeitos tornam os probióticos um recurso terapêutico funcional e seguro dentro da abordagem integrativa ao lipedema [17]. 

 

Vitamina C e flavonoides: Antioxidantes como a vitamina C, especialmente quando combinada com flavonoides como diosmina e hesperidina, são conhecidos por seus efeitos benéficos sobre a permeabilidade capilar e integridade vascular. Ensaios clínicos demonstram melhora significativa de sintomas como dor, sensação de peso e edema em pacientes com doenças venolinfáticas — mecanismos semelhantes aos envolvidos no lipedema [18].

Além disso, a vitamina C participa da síntese de colágeno, essencial para a manutenção da matriz extracelular e da firmeza da pele, frequentemente comprometida nos estágios avançados do lipedema [19]. 

 

Magnésio: o magnésio é um mineral essencial com efeitos anti-inflamatórios, vasodilatadores e moduladores da dor. Pacientes com lipedema frequentemente relatam fadiga, dores musculares e aumento de tensão, sintomas que podem ser amenizados pela otimização dos níveis de magnésio. Ele também atua no relaxamento da musculatura lisa vascular, favorecendo a circulação periférica e a redução da sensação de peso nos membros inferiores [20].

Suplementação nutricional no manejo da SOP

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma das endocrinopatias mais prevalentes entre mulheres em idade reprodutiva, com impacto que vai além do sistema reprodutor. Trata-se de uma condição multifatorial, de base hormonal e metabólica, frequentemente associada à resistência à insulina, excesso de andrógenos, disfunção ovulatória e inflamação crônica de baixo grau. Os sintomas mais comuns incluem irregularidades menstruais, acne, queda de cabelo, hirsutismo, dificuldade para engravidar, alterações de humor e ganho de peso [21].

Embora sua expressão clínica varie bastante entre as pacientes, a SOP tem sido relacionada a riscos aumentados para síndrome metabólica, esteatose hepática, diabetes tipo 2 e distúrbios cardiovasculares. Por isso, o cuidado com essa condição deve ser contínuo e envolver estratégias integrativas, incluindo alimentação adequada, exercício físico e suplementação nutricional com foco na sensibilidade à insulina, equilíbrio hormonal e redução da inflamação sistêmica [22]. 

 

Inositol: os inositóis são pseudovitaminas do complexo B envolvidos na sinalização da insulina. A suplementação com myo-inositol (MI), isoladamente ou combinado com D-chiro-inositol (DCI), demonstrou melhorar a sensibilidade à insulina, regular o ciclo menstrual, restaurar a ovulação espontânea e reduzir níveis de andrógenos circulantes em mulheres com SOP. Estudos indicam que essas substâncias podem ser tão eficazes quanto a metformina, com menor ocorrência de efeitos colaterais gastrointestinais [23]. 

 

Ômega-3 (EPA e DHA): Os ácidos graxos poli-insaturados ômega-3 possuem efeitos anti-inflamatórios, antioxidantes e reguladores do metabolismo lipídico e da sensibilidade à insulina. Ensaios clínicos mostraram que a suplementação com EPA/DHA promoveu redução de triglicerídeos, melhora no perfil lipídico e diminuição da resistência à insulina, além de possível efeito benéfico sobre o hiperandrogenismo e os marcadores inflamatórios [24]. 

 

Vitamina D: a deficiência de vitamina D é comum entre mulheres com SOP e tem sido associada à piora da resistência insulínica, maior risco de disfunção ovulatória e agravamento do hiperandrogenismo. A suplementação dessa vitamina demonstrou benefícios em múltiplos parâmetros clínicos e laboratoriais, incluindo melhora da sensibilidade à insulina, regulação do ciclo menstrual e melhora do humor. Também há evidências de modulação positiva sobre o perfil lipídico e pressão arterial [25]. 

 

N-acetilcisteína (NAC): NAC é um precursor da glutationa, com propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e sensibilizadoras à insulina. Em estudos randomizados, a NAC mostrou-se eficaz na redução da resistência insulínica, diminuição dos níveis de testosterona e aumento das taxas de ovulação espontânea em mulheres com SOP. Também demonstrou melhora em parâmetros metabólicos e possível benefício na função hepática [26]. 

 

Magnésio (Mg): O magnésio é um mineral essencial envolvido em mais de 300 reações enzimáticas, incluindo aquelas relacionadas ao metabolismo da glicose e à sinalização da insulina. Evidências científicas indicam que mulheres com SOP apresentam, com frequência, níveis reduzidos de magnésio, os quais estão associados à maior resistência à insulina, inflamação sistêmica e pior perfil metabólico. A deficiência de magnésio pode intensificar a hiperinsulinemia, um dos principais fatores fisiopatológicos da SOP, contribuindo indiretamente para o aumento da produção ovariana de andrógenos [27]. 

Ensaios clínicos demonstram que a suplementação de magnésio, isoladamente ou em combinação com outros micronutrientes, pode reduzir marcadores inflamatórios como proteína Creativa (PCR), melhorar a sensibilidade à insulina e favorecer o controle glicêmico em mulheres com SOP. Além disso, o magnésio exerce efeitos benéficos sobre o sistema nervoso, auxiliando na modulação do estresse, da ansiedade e da qualidade do sono — sintomas frequentemente relatados por pacientes com SOP [27]. 

 

Zinco: o zinco é um oligoelemento fundamental para a função antioxidante, imunológica e endócrina. Na SOP, sua relevância se destaca pela atuação na modulação do estresse oxidativo, na função ovariana e no metabolismo hormonal. Estudos mostram que mulheres com SOP frequentemente apresentam níveis séricos reduzidos de zinco, os quais se associam à piora da acne, do hirsutismo e da resistência à insulina [28].

A suplementação de zinco tem sido associada à melhora significativa de manifestações clínicas relacionadas ao hiperandrogenismo, como acne inflamatória e queda de cabelo. Mecanisticamente, o zinco pode inibir a atividade da enzima 5alfaredutase, responsável pela conversão da testosterona em dihidrotestosterona (DHT), além de contribuir para a redução da inflamação e do estresse oxidativo. Ensaios clínicos randomizados também demonstram melhora nos parâmetros metabólicos e no perfil lipídico após suplementação de zinco em mulheres com SOP [28].

 

Probióticos e prebióticos na SOP: a SOP tem sido cada vez mais associada a alterações na microbiota intestinal, caracterizadas por disbiose, aumento da permeabilidade intestinal e maior translocação de endotoxinas inflamatórias para a circulação sistêmica. Esse processo contribui para a inflamação crônica de baixo grau e para o agravamento da resistência à insulina, dois pilares centrais da fisiopatologia da SOP. O eixo intestino–ovário tem papel fundamental na regulação metabólica e hormonal feminina [29].

Estudos clínicos demonstram que a suplementação com probióticos e prebióticos pode melhorar a composição da microbiota intestinal, reduzir marcadores inflamatórios, melhorar a sensibilidade à insulina e impactar positivamente parâmetros hormonais em mulheres com SOP. Ensaios randomizados mostram reduções significativas na insulina em jejum, no HOMAIR e em níveis séricos de testosterona total após intervenções com probióticos, reforçando seu papel como estratégia complementar segura e eficaz no manejo da SOP [29].

Menopausa: suporte nutricional para um novo ciclo da saúde feminina

A menopausa é definida como a interrupção definitiva da menstruação após 12 meses consecutivos de amenorreia, resultante da falência natural dos folículos ovarianos e da queda nos níveis de estrogênio e progesterona. A transição menopausal ou climatério pode durar vários anos e envolve alterações hormonais que impactam diversos sistemas do organismo, incluindo o ósseo, cardiovascular, neurológico e metabólico [30].

Durante esse período, são comuns sintomas como ondas de calor (fogachos), sudorese noturna, insônia, alterações de humor, fadiga, secura vaginal, perda de massa óssea e redução da libido. A intensidade e duração variam, mas muitas mulheres relatam impacto significativo na qualidade de vida, especialmente nos primeiros anos após a menopausa [31].

Frente aos efeitos colaterais da terapia hormonal e à busca por abordagens naturais, cresce o interesse por suplementos nutricionais com ação anti-inflamatória, antioxidante, adaptogênica e reguladora do metabolismo, que possam atenuar sintomas e promover bem-estar na fase pós-reprodutiva [32]. 

Suplementos com evidência científica no suporte à menopausa 

Vitamina D + Vitamina K2: a deficiência de vitamina D é altamente prevalente em mulheres na pós-menopausa e está associada à perda acelerada de massa óssea, predispondo à osteopenia e osteoporose. Quando combinada à vitamina K2, a vitamina D favorece a adequada deposição de cálcio nos ossos, ao mesmo tempo em que previne a calcificação arterial, promovendo saúde óssea e cardiovascular de forma sinérgica [33]. 

 

Magnésio: o magnésio participa de centenas de reações enzimáticas e influencia diretamente o sistema nervoso, a função muscular, a qualidade do sono e a saúde óssea. Estudos mostram que a suplementação de magnésio pode reduzir sintomas como insônia, irritabilidade e câimbras, além de colaborar na prevenção da osteoporose e no alívio da fadiga crônica em mulheres climatéricas [34].

 

Ômega-3 (EPA e DHA): a queda de estrogênio durante a menopausa favorece a inflamação crônica de baixo grau e o aumento do risco cardiovascular. Os ácidos graxos EPA e DHA demonstram efeito anti-inflamatório, contribuindo para a melhora do perfil lipídico, da função endotelial e do humor. Também há indícios de que o ômega-3 pode reduzir a frequência de fogachos e modular a cognição em mulheres na pós-menopausa [35]. 

 

Vitamina E: a vitamina E é um antioxidante potente que atua na proteção das membranas celulares contra o estresse oxidativo. Ensaios clínicos indicam que sua suplementação pode reduzir a intensidade e a frequência dos fogachos, além de beneficiar a elasticidade da pele, saúde cardiovascular e lubrificação vaginal [36]. 

 

Óleo de borragem (Borago officinalis): rico em ácido gama-linolênico (GLA), o óleo de borragem apresenta ação anti-inflamatória e moduladora hormonal, podendo aliviar sintomas como sensibilidade mamária, alterações de humor, secura de mucosas e ondas de calor leves a moderadas. Estudos mostram que o GLA auxilia na produção de prostaglandinas anti-inflamatórias, favorecendo o equilíbrio do eixo hormonal feminino com boa tolerabilidade [37]. 

É importante pontuar que todos os suplementos citados atuam como coadjuvantes no manejo dessas desordens, não substituindo mudanças no estilo de vida, alimentação adequada ou acompanhamento profissional individualizado.

Cuidar da saúde feminina exige um olhar individualizado, que considere os ciclos, desafios e transições hormonais ao longo da vida. Desordens como SOP, lipedema, endometriose e menopausa impactam profundamente o bem-estar da mulher, e a suplementação nutricional de qualidade tem se mostrado uma aliada segura e eficaz no manejo desses sintomas.

Com base em evidências científicas, vitaminas, minerais, ácidos graxos e compostos naturais contribuem para o equilíbrio hormonal, controle da inflamação e promoção da vitalidade. Integrada a um estilo de vida saudável, a suplementação funcional apoia uma jornada de autocuidado, leveza e longevidade.

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