O ser humano desde o nascimento até a morte física procura ir em direção às situações que possibilita prazer e foge das que promovem dor. Na interação com as pessoas é possível perceber suas atitudes, comportamentos, sentimentos, ações e suas conseqüências.

É do senso comum que a maioria atrai justamente o que abominam.

Em decorrência de sua hereditariedade, de seus hábitos,  das suas crenças e paradigmas arraigados, mantém padrões inalterados diante das circunstâncias da vida. Ficam míopes e incapazes de efetuarem alterações em seus padrões mentais e emocionais, mesmo que tenham consciência e desejo de mudanças.

Atendo pessoas com dor, sofrimento, tristeza, angústia, ansiedade, estresse, depressão entre outras situações. Comprovo que após receberem informações e orientações de como reverter ou melhorar seus sintomas, desconforto, dor, sofrimento; persistem ou têm suas queixas exacerbadas. No início ficava intrigado com seus comportamentos, porque elas adquiriam informações suficientes, para não só reverter seus sintomas como também em muitas vezes livrarem-se deles por completo.  

Pude aferir por estas constatações que em muitas situações, as pessoas não abandonam a inércia física, mental, emocional e espiritual, em benefício próprio, mesmo que seja para se livrar de dor, sofrimento, doença.

Certifico que tomam conhecimento, consciência, porém não se sensibilizam, prioriza ou agem no sentido de efetuarem mudanças com a finalidade de se livrarem do que os incomodam.  

Pode-se ponderar alguns questionamentos: será por preguiça, ignorância, falta de prioridade, masoquismo, baixa auto-estima, psicose, neurose ou todos eles? A resposta continua uma incógnita.

 Normalmente as pessoas atuam em  busca de prazer e bem estar ou evitam a dor e sofrimento. Cada pessoa no decorrer da vida codifica uma programação mental, emocional, comportamental orientadas pelo cérebro reptiliano ou instintivo, de acordo com as circunstâncias processa para fugir, paralisa/congela ou avança para conseguir.

A escolha de uma forma de atuar define não só a sua estrutura mental, mas qualidade de vida. Sabe-se que o futuro de cada pessoa depende muito do que foi vivenciado e programado no passado. Normalmente as interpretações dos acontecimentos tornam-se mais importantes que os próprios.

Para mudar o significado deve-se reinterpretar as situações de um prisma diferente. Ressignificação ou significar de novo, tem o poder de transformar trauma, dor, sofrimento, desafios e adversidades em experiências.

Existe no cérebro um núcleo chamado acumbente ou também denominado de recompensa, que é estimulado pela dopamina.

Isto ocorre quando há uma interpretação do cérebro de que em dada circunstância houve sucesso no fato desejado. Realizar uma tarefa de trabalho, de escola, ganhar um jogo, ter êxito, triunfo, vitória e apresentar superação de situações desafiantes são exemplos suficientes para o cérebro aumentar a liberação de dopamina e a pessoa sentir-se compensada ou realizada.

Quanto mais dopamina o núcleo acumbente recebe, maior é o estímulo, prazer, autoconfiança, amor próprio, poder pessoal e auto-estima. O bem estar proporcionado pelo estímulo do núcleo acumbente proporciona uma retroalimentação positiva de prazer e ativa a memória. A recordação de acontecimentos prazerosos ao liberar dopamina é suficiente para gerar bem estar, motivação, entusiasmo.

Os acontecimentos desfavoráveis, desagradáveis, dor, sofrimento, situações negativas, pessimismo, estresse, ansiedade, tristeza e depressão inibem o sistema de recompensa.

Emoções são expressões que o corpo apresenta frente a interpretações do cérebro dos acontecimentos vivenciados.

Conforme a experiência de uma pessoa frente a uma emoção  interpretada como desagradável e dolorosa ou prazerosa e agradável, detona o gatilho de: hostilidade, medo, alegria, desespero, tristeza, frustração ou receptividade, tranqüilidade, atenção, relaxamento, bem estar e euforia.

As reações emocionais impulsionam em direção a situações prazerosas e repelem ou afastam de situações de perigo, dolorosas ou desagradáveis. As reações do corpo são despertadas pelas emoções. Torna-se fundamental reconhecer as emoções para compreender como o cérebro funciona.

Uma pessoa provida de autoconhecimento e inteligência emocional pode mudar o comportamento e aprender a controlar as emoções e ter um equilíbrio corpo-mente que a beneficia e protege. As decisões são reflexos do controle emocional do cérebro referente a determinada situação.

Para transcender é necessário reconhecer as estruturas mentais que governa a tua vida, sensibilizar-se e ao decidir mudar, fazer novas escolhas para criar uma nova realidade.

Portanto, fica a questão: você foge da dor e desconforto ou escolhe permanecer na inércia e ignorância ou procura o prazer e bem estar?

Eduardo Carlos da Silva
Neurocirurgião e Coach.
CRM: 36865