As doenças cerebrais estão entre as enfermidades do corpo mais incapacitantes e temidas pelas pessoas, porque danificam as funções cerebrais responsáveis, pela atividades motoras, sensitivas, fala, audição, visão, olfato, tato, raciocínio, julgamento, pensamento, comportamento e sentimento. As doenças cerebrais promovem a interrupção das conexões mente-corpo. Desencadeia  muito sofrimento, perdas, dor, incapacidade física, psíquica, gera transtornos temporários ou definitivos. Por isto, é prudente as pessoas tomarem consciência, das possíveis causas das doenças cerebrais, e atuar sempre de modo preventivo.

DEMÊNCIA

Demência é uma deterioração da função mental, caracterizado por um declínio das funções cognitivas e das habilidades da pessoa. Ocorre em pacientes idosos. O processo de envelhecimento é acompanhado por diminuição dos reflexos, da memória, do raciocínio, com períodos de desorientação,  confusão mental e redução da atividade intelectual. As pessoas tem dificuldade de interpretar as funções dos sentidos. Torna-se desafiante realizar as atividades da vida diária, como alimentar-se, vestir, tomar banho, telefonar, dirigir, escrever e falar. As vezes não se recorda com quem falou, o que conversou, se comeu, tomou banho ou  escovou os dentes. É popularmente denominado de arteriosclerose.

Os três tipos mais conhecidos de demência, são:

Alzheimer, Vascular e Hidrocefalia de Pressão Normal.

A demência vascular ou aterosclerótica ocorre devido a isquemias cerebrais repetidas. Clinicamente é confundida com a demência de Alzheimer.

A demência por hidrocefalia é mais rara. Ocorre devido ao bloqueio do fluxo do liquido céfalo raquidiano no cérebro e leva ao aumento da pressão intracraniana.  Apresenta três sintomas distintos: demência, dificuldade para andar e incontinência vesical.

A doença de Alzheimer é a forma mais comum no idoso. Estudos no Brasil mostra ocorrência de 0,5% em torno dos 60 anos e 40% após 85 anos e denota um crescimento contínuo. Quem tem um dos pais com Alzheimer, tem 2 a 3 vezes maior chance de manifestar, do que quem não tem historia na família.

Os maiores fatores de risco são:  antecedentes ou história de doenças vasculares com repercussão cerebral, como hipertensão arterial, arteriosclerose,  depressão no idoso, sedentarismo, fatores genéticos e ambientais, desnutrição, baixa escolaridade, falta de atividade física e intelectual, isolamento social, depressão, fumo, alcoolismo, obesidade, diabetes, traumatismo craneo encefálico prévio, toxinas do  ambiente, idade avançada e alto nível de stress.

Ocorre deterioração da memória recente, com esquecimento do nome dos familiares e objetos, confusão com datas; das funções intelectuais, emocionais e cognitivas. Progride com dificuldade para executar pequenas tarefas domésticas,  para falar, raciocinar, concentrar e perda da atenção. Apresenta desorientação no tempo e no espaço, com perda da capacidade de fazer cálculos, ler, escrever e fazer higiene pessoal. O humor fica instável, com períodos de agitação, apatia, raiva, tristeza, irritação e agressividade. Há mudança da personalidade  com perda da identidade.

Não há ainda um tratamento específico ou uma droga que promove a cura. É fundamental o apoio familiar, com estímulo para atividades físicas, afazeres domésticos, intelectuais e interação social.

ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL

As doenças vasculares cerebrais são as mais frequentes entre as doenças neurológicas.

Acidente vascular cerebral ou derrame é a interrupção súbita de sangue com oxigênio, glicose e demais nutrientes para o cérebro. O cérebro recebe de  20% do fluxo de sangue do corpo, mesmo pesando menos de 3% da massa corporal. Como não apresenta reserva de energia ou nutrientes, necessita de suprimento constante de sangue. A interrupção do aporte sanguíneo provoca isquemia e lesão das células cerebrais.

O acidente vascular isquêmico, com incidência de 80 a 85%  é provocado por aterosclerose das artérias do pescoço e ou cerebrais. A embolia ocorre devido a obstrução de um vaso, por embôlos  com origem nas artérias do pescoço e no coração, proveniente de arritmias ou doenças cardíacas.

O acidente vascular hemorrágico se deve a ruptura de um vaso intracraniano, com sangramento intracerebral ou  em volta do cérebro no espaço subaracnóideo.

Acidente vascular cerebral transitório corresponde a uma isquemia passageira, que não chega a provocar uma lesão. Deve-se a um episódio súbito da interrupção de sangue em determinada área do cérebro com manifestações neurológicas transitórias e costuma ter recuperação em torno de 24 h.

Fatores de risco: aterosclerose das artérias do pescoço ou do cérebro, derrame prévio, história familiar, doença cardíaca, hipertensão arterial, diabetes, idosos, fumantes, alcoolismo, obesidade, contraceptivos hormonais e sedentarismo.

Os sintomas depende da área atingida, da extensão da mesma, do tipo isquêmico ou hemorrágico, de doenças associadas e idade.  Pode ocorrer, paralisia do hemicorpo, perda sensibilidade, perda consciência, formigamento, dor de cabeça, alterações da fala, distúrbio visual, incoordenação motora, alteração do equilíbrio e confusão mental. Acidente vascular cerebral, é a segunda causa de demência , com alteração da memória, do  raciocínio, da atenção.

DOENÇA  DE PARKINSON

A doença de Parkinson é uma enfermidade degenerativa, que apresenta transtorno dos movimentos. É caracterizada por rigidez muscular, tremor, lentidão dos movimentos e rigidez facial. Ocorre quando há lesão neuronal com degeneração da substancia negra e provoca diminuição da produção de dopamina, que é o neurotransmissor responsável pela transmissão dos movimentos musculares.

As teorias da provável da causa são: genes defeituosos, infecções cerebrais, acidente vascular cerebral, tumores, trauma de craneo,  fatores ambientais, exposição a pesticidas, toxinas alimentares e drogas neurolépticas.

EPILEPSIA

Epilepsia é um distúrbio da atividade elétrica cerebral, temporária e reversível, caracterizado pela ocorrência de crises convulsivas. As convulsões podem produzir manifestações motoras, sensoriais, sensitivas, psíquicas e neurovegetativas. As causas conhecidas mais comuns são: anóxia neonatal, trauma do parto, traumatismo de craneo, drogas, tóxicos, acidente vascular cerebral, tumores, lesões degenerativas, infecções e mal formações congênitas.

Fatores desencadeantes: privação de sono, ingestão de bebida alcoólica, drogas, febre,  ansiedade, cansaço, mudanças súbitas na intensidade ou piscar de luzes.

TUMOR CEREBRAL

Cefaléia, perda da memória, mudança de personalidade, distúrbio visual, vômitos, crise convulsiva, paralisia, adormecimento, são alguns dos sintomas dos tumores cerebrais.  Pouco é conhecido sobre as causas dos tumores cerebrais. Alguns ocorrem devido a predisposição genética. Um fator reconhecido é a exposição de alta dose de irradiação. A depressão do sistema imunológico aumenta o risco de linfomas cerebrais. Alguns pesquisadores acreditam que os fatores genéticos, estresse  e exposição a toxinas ambientais, contribuem para a provável formação dos tumores cerebrais.

PREVENÇÃO

Na prevenção das doenças cerebrais, torna-se necessário tomar medidas no âmbito físico, mental, emocional e espiritual. De uma maneira abrangente deve-se:  evitar o traumatismo craneo encefálico ao respeitar as leis de trânsito, não beber quando dirigir, usar capacete para moto, bicicleta, usar cinto de segurança. Instalar na casa materiais anti-derrapante no piso, principalmente de banheiro e escadas, barras de corrimão nas paredes, deixar passagem livre de obstáculos. Ter uma dieta balanceada e nutritiva, com pouca gordura saturada, açúcar, sal, glúten, carboidrato, laticínios e rica em fibras, grãos integral, frutas e vegetais. Uso de bebida alcoólica moderada e evitar o fumo.

Controle de doenças cardíacas prévias, como arritmias, infarto do miocárdio, doenças valvulares e hipertensão arterial.

Exercitar a mente para manter o cérebro ativo. Aprender alguma coisa nova, como tocar um instrumento musical, pintura, dança, escultura, uma língua, participar de jogos de memória, ler sobre um tema novo e desconhecido,  participar de grupo de estudo, escrever diário e cartas e fazer palavra cruzada. Estar engajado em atividade social com amigos, família, realizar trabalho voluntário.

Exercícios físicos e intelectuais promovem melhora do fluxo sanguíneo cerebral e aumenta o número de sinapses. Indicado realizar atividades que promovam relaxamento mental e redução do nível de hormônios do estresse, como contato com natureza, ouvir músicas clássicas,  praticar yoga, tai chi chuan e meditação.

A melhor maneira de evitar ou diminuir a chance de ter doenças cerebrais, dá-se através da  prevenção, com identificação e controle quando possível dos fatores de risco, associado a potencialização das atitudes saudáveis.  Um comportamento saudável, equilibrado, consciente, parece ter mais influencia do que os genes para a prevenção em algumas doenças cerebrais. Atividade social, mental, física, controle do estresse, alimentação balanceada, promove inibição dos fatores de risco e estimula a proteção do cérebro.

Na vigência de doença cerebral instalada, deve-se procurar auxílio médico especializado, o mais precoce possível, com o intuito de estabilizar e quando possível reverter os danos sofridos pelo cérebro.

A esperança é que ocorra através de pesquisas na área da neuroplasticidade, a possibilidade de bloquear a degeneração das células cerebrais comprometidas, promover a recuperação por meio de regeneração, reorganização,   reabilitação e transplante através de células tronco.

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por Eduardo Carlos da Silva
Neurocirurgião e Coach.

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